sábado, 6 de novembro de 2010

Caminhos XXI

Ela voltou para casa como se tivesse uma bigorna presa em seu coração. Ela sentiu como se tudo estivesse acabando e temeu, chorou, morreu. Precisava da precisão. Sonhava com toda a tristeza do mundo, mas embalava a felicidade. Morrer talvez fosse algum tipo de saída, mas de que tipo? Anjos e crisântemos enfeitavam talvez um futuro lar. Casa de campo, de praia. Ela imaginava todo tipo de saída enquanto lágrimas rolavam pelo seu rosto, em busca de um coração que não existia.
Ela voltou como se tivesse perdido tudo e em seu semblante tudo havia mudado. Ficara sem rosto. Um espectro em seu desassossego. Uma mentira. Uma loucura. Tentava, em vão, encontrar saída para seu erro. Encontrar solução. De que tipo? Macabra e aterrorizante ou saudável e sincera.
Sentia-se culpada. E era. Tudo acontecia pelo mesmo motivo: seu olhar de ódio em meio às discussões. Sua impaciência e infantilidade.
Ela voltou para casa para tentar fechar-se em seu pequeno mundo, mas tudo que encontrou foram imperfeições. Ela não voltou.

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