quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Caminhos XXIV

Ela era inconstante. Chorava, rangia, temia. Não queria nada se não ouvir uma única música, a mesma rejeitada. Só queria ficar só. Não desejava companhia nenhuma. Livros eram companhias; personagens, amigos. Não era algo que se pudesse chamar de original, ter a companhia apenas de pelúcias inanimadas. Sua vida fora, ou era, a música, e assim se manifestava. Nunca mais.
As moléculas já estavam saturadas, mais ácido carboxílico, talvez, fizesse bem. Poliômios e orações subordinadas. Solenóides viraram gavinhas. Mas onde estava sua atenção? Miragens e fantasmas lhe chamavam atenção. E em seu sonho foi clara a traição. Com um inimigo.
Ela era inconstante. Alegrava-se e entristecia-se. Só queria ouvir sua música. Nunca mais. 'Fazer com que' tudo fosse sentido. Trancava-se em seu mundinho, a bolha que deveria terminar. Deveria. Trancava-se por que era sua trincheira. Sua defesa.
As moléculas foram saturadas. Que diferença faria? Os vícios de linguagem voltariam a existir e a batata inglesa voltaria a ser raiz. Que diferença faria? Ela era inconstante e essa era sua inconstância. Entristecia-se...

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