sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Caminhos XIX

Seria isso a exaustão de sentimento? Aceitar o própria droga que salva e mata. Seria a dose certa? Tentava entender pontos indecifráveis como a química. Radicais de metila. Talvez pudesse simplificar as palavras e constar o significados de suas expressões em um único Aurélio, e talvez fosse esse o problema: queria que pensassem, que entendessem, que ligassem fatos.
Era sim, a exaustão, de sentimento. Sempre com o mesmo ponto final. Anéis aromáticos sem ligações pi. Paradoxo. Olhava para os lados, e o que via? Milhares de pessoas que haviam caído em circunstâncias parecidas: seu desapego. Não eram pílulas, e comprimidos não lhe faziam efeito. Precisava de quem estava distante. Dos gritos, dos sorrisos e risadas. Era isso. A falta de palavras. Pronome pessoal, oblíquo e verbo não eram o suficiente. Necessitava de mais, sempre mais. Desapego.
Sempre necessitara de gavinhas. E as tinha em si mesma. Necessitava nos outros. Mas a dose certa. Seria essa? Mas era o que era. A falta de palavras para completar uma frase. Para responder perguntas com sinceridade. E de quem esperava as respostas, recebia mais dúvidas. Incomodava-se com os radicais de metila, etila e alguns de fenila (os mais preocupantes). Necessitava retirar da cadeia principal.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Caminhos XVIII

Esperava e não podia disfarçar. Sentia que esperava demais algo que nunca acontecia. Perdoava. Queria o mistério, a surpresa, o inesperado. Não o tinha. Tivera, certa vez, tanto tempo que custava a se lembrar. Tivera o que quisera e jogara fora. Arrependia-se, de certa forma. Esperava algo que pudesse compartilhar: alegria.
O que poderia querer, além do que já tinha? Só palavras. Palavras de bom tom e gosto. A alegria. Queria que tudo acontecesse, mas talvez tivera dado muitas oportunidades e só sem elas ocorreria. "Acorde, criança, ou o sol não irá nascer". Ela pensava. Ela sorrira. Ela sentira. Ela queria o bem, e desejava o mal. Sonhara e sentira falta da verdade. Batera de cabeça no chão.
Queria perder o mal hábito de acreditar. De esperar. Cachos e mais cachos de preocupações, como se fossem uvas. Luvas. Sentimentos que poderia guardar e esconder. Não conseguia. Não queria. Não gostava. Só desejava entender a humanidade, a paixão e a ordem de espera. Talvez não fosse assim. Talvez tudo que pudesse acreditar era na realidade e não em filmes de romance barato. Sonhava e sentia falta da verdade, da razão, do comprometimento. Batia a cabeça no chão. Todo dia.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Caminhos XVII

Imaginava se algum dia alguém entenderia a falta que seu mundo fazia a ela, "seu" mundo. Se algum dia iriam entendê-la e dizer "vá, voe para ele". Talvez fosse a ilusão que lhe atormentava todas as manhãs. Diferenciava real de abstrato, mas talvez fosse aquele a sua realidade. Não, não era. Queria que fosse.
Permitia extasiar-se e ficar admirando seus devaneios. O que era mais importante? A vida? Os sonhos? O sentimento de que sentira enquanto lá vivera? Não sabia. E talvez tivessem razão quando acusaram-na de não saber o que queria da vida. Essa era a verdade. Preferia estar ora lutando contra a corrente, ora sentindo-se livre para deixar-se levar. Preferia mudar, viver em constante metamorfose. Sobreviver. Mas nunca fugindo dos seus ideais. Nunca lutando contra eles. Sentia-se lesada ao falar do que vivera, pois seu mundo não poderia ser explicado, somente vivido. E não entendia como conseguira explicar e parecer que fora uma boa vida, apenas com palavras. Necessitava mostrar. Não podia.
Sentia que o destino lhe colocava a prova. Poderia entender ou voltar. Preferira entender, era a decisão mais sensata a tomar. Mais coerente. Mas o que queria mesmo era voltar. "Vá, voe para ele", voltar para os céus e o mar. Voltar para sua imaginação. Viver somente de seus devaneios. Mas entendera e o destino que lhe levava.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Caminhos XVI

Panos e trapos. Notava que havia passado os tempos em que podia esconder-se atrás deles. Dizer-se inocente e revogar a culpa. Sabia e sentia que necessitava cuidar-se mais, confiar menos e entender. Chegava o tempo da paciência. E dos sonhos. Talvez fosse o momento de sonhar mais que entender. Ou não. Da última vez que sonhara, passara meses imaginando se sua vida poderia voltar a ser como no sonho. Não podia. Por mais que se tenta dormir e voltar ao mesmo sonho, nunca se consegue. E ela ficara na expectativa. Remexera-se na cama e criara situações que poderiam ter ocorrido. Mas todas com seu consciente.
Bandeiras batiam-se com o vento. Viravam trapos. Ela não poderia fazer nada, a não ser observar o alto do mastro. Não era hipócrita. Jamais mentira se não tivesse sido para o bem. Considerava uma qualidade o saber quando falar a verdade. Via a felicidade acima de todas as coisas e não entendia o sentido de fazer algo que fizesse mal. Autodestruição, talvez.
Panos, trapos, pratos e cacos. Quem poderia consertar? Talvez uma nova ilusão, novo sonho ou a bela realidade. E como distingui-los? Ela não sabia. Talvez fosse apenas sentir e sonhar. Não podia revogar a culpa. Cristal quebrado era impossível de colar sem deixar marcas.

sábado, 9 de outubro de 2010

Caminhos XV

Uma vela queimando. Imaginava ela como fosse sua vida. Queimava e queimava... Diminuía a cada momento, mas provocava luz. Luz que sumia na escuridão, mas iluminava parte do espaço. Estranhamente ela tinha certeza que sua vida era como uma vela. Aos poucos terminava, mas era só o pavio. A cera continuava lá, líquida, pronta para um novo pavio e começar novamente. Sua vida. Terminava e começava, tantas e tantas vezes que já nem se lembrava. Cigana, carrasca, princesa, plebéia. Não sabia.
Tudo mudava, mas ao mesmo tempo continuava igual. Tudo poderia mudar definitivamente se ela cometesse os erros que havia tentado cometer. Pioraria. Não! Não queria pensar nisso. Mas ao mesmo tempo sentia-se tentada pelo desconhecido. Seria irresponsável. Ou seria um ato que ela praticaria.
Lembrava de coisas do passado. Brigas e felicidades. Lembrava do presente. E seus embrulhos, laços e fitas. E no futuro. As surpresas. As felicidades e tristezas que viriam. Sentia o pesadelo de estar lutando com alguém que tinha proteção de um amigo. Imaginava uma vela queimando. Talvez o pavio estivesse no fim. Ou não. Diminuía a cada momento, mas provocava luz.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Caminhos XIV

Uma pessoa que se dá. Era o que era ela. Não Ela. Uma 4ª pessoa. E ela, a 3ª pessoa, já passava dos limites, inventava adjetivos, qualidades e defeitos, enxergava o inalcançável. Uma pessoa que se dá sem cobrar. Ou cobrando. Não sabia. O que lhe podia valer? Inimizade e euforia. Sinestésico.
Hiperbolava um super plano. Que talvez, como tantos, não saísse do papel. "O futuro muda a cada vez que olhamos para ele. Só pelo fato de olhar." Tinham-lhe dito. Era o presente. Era a surpresa. Era o que era pra deixar a vida mais divertida. Deixava? Nem sempre gostava de surpresas. Gostava da III Lei de Newton. Lhe era útil para explicar seus atos. Chocolate branco, meio-amargo, lhe fazia bem. E como fazia. Mastigadas dolorosas. Gosto nauseante. Intoxicação alimentar.
Desejava o mal. Não era hipócrita em não admitir. Desejava o mal de que precisassem dela. O máximo que podia desejar. O máximo que a crença lhe permitia. Não tinha intenção de ser um Caim da família. Antes Abel.
Era essa sua preferência. Morrer a matar. Matava só de sentimentos que as pessoas mesmas causavam nelas. "O futuro muda a cada vez..." Talvez fosse disso que precisava. Mudança. Começando pelas atitudes. Seria pra melhor? Pior? Não sabia. Só sabia que era aí que começava. "Só pelo fato de olhar." a uma pessoa que se dá. Era seu pensamento.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Caminhos XIII

Talvez fosse amor, o que sentia. Talvez fosse o mesmo que sentiam por ela. Tocava, tocava, desligava. Sempre. Impossível dizer o que seguia o devaneio de estar. Injustiça por parte dela? Descuido de quem a cuidava? As vezes sentia que sentia inveja dos românticos. Um dia fora um deles. O tempo não permitia mais. Não muito. A água secara e no lugar sobrou a erosão e a escassez que o sol trouxera. Era como se fosse errado, e só o que fazia era olhar páginas que já não eram tão usuais. Medo do atrito? Mas não deixava de caminhar. E não sabia a direção. As vezes, simplesmente, desconfiava.
Várias e várias páginas falando sobre sentimentos. Não por ela. Por outra pessoa. Talvez não estivesse na hora. Hora de cair e ser esmagado pelo trem. Forte, não? Pensava ela que um dia pudesse vir a ser ou estar. Verbo To Be. Engraçado que não era. Confuso? Talvez. A vida era confusa. O destino era confuso. E se não existisse, era mais confuso ainda.
Via lágrimas no riso de outras pessoas. Na paixão. No amor. Tudo por que era diferente. Via lágrimas onde havia felicidade. Talvez as lágrimas que via fossem de alegria. Tocava, tocava, desligava. Seu coração era assim. Batia, batia e se apagava.