Ela sabia que estava chegando o fim. Iria sentir saudades? Mudaria para melhor? Não sabia dizer. O tempo e o destino a instruiriam. Era sua única certeza. Enquanto sentava embaixo do ipê, imaginava o quanto fora feliz... E triste... Mas talvez tivesse tido mais felicidades que tristezas. Não poderia saber. Assim como não sabia várias e várias coisas de sua própria vida. O que a reservava? Só o destino saberia...
Ela não entendia a semelhança que havia entre o dia e a noite, a luz e as sombras, a vida e a morte. Paradoxos cheio de diferenças, mas completamente iguais. Ela não entendia. Não entendia que um não poderia existir sem o outro. Coincidência? Acaso? Destino? Talvez os espectros soubessem melhor. Mas eles não falavam. E enquanto não falassem deveria seguir como sempre. Sozinha, fingindo estar acompanhada.
Na verdade ela sentia como se tudo fosse uma fraude. Talvez a vida fosse. Talvez nada fosse real e a qualquer momento ela poderia acordar em um lugar em que não lembrava onde ou o que era. Talvez, somente talvez, fosse tudo um sonho ou uma ilusão de ótica.
O ipê se queixava. Ela se queixava. Nada na vida era oportuno. As pessoas se queixavam. Tudo era ruim. Tudo sempre estava ruim. Beleza? Bondade? Ternura? Histórias infantis...
E estava chegando o fim. Fim do que? De uma vida? Uma etapa? Uma felicidade? O tempo e o destino a instruiriam.
Mais uma filosofia da coitada(ou não) personagem. Eu diria que esta mulher possue um semblante triste quanto olha para traz, e para não ter um remorso ainda maior coloca toda a culpa no destino. Ela tem vontade de mudar, mas acha que é tarde demais.
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