Desejava voar. Voar com as próprias asas que em seus sonhos surgiriam em suas costas. Asas de águia, coruja ou pardal. Ela sabia que podia sonhar. Podia ler. Podia desenhar e até escrever, mas nunca encontraria o planejado. Talvez fosse um dos defeitos dela. Planejar e planejar. Gostar do programado. Esperar por uma surpresa. Esperar...
Acreditara que os sonhos eram mágicos. Agora sabia que não eram mais que ilusão. Em seu íntimo cria que nada era em vão. Não tinha certeza. Acreditava nas pessoas que lhe falavam de sentimentos. Desacreditava do silêncio delas. E era essa sua tentação e ao mesmo tempo o que lhe afligia: O silêncio. Procurava a solidão. Fugia da solidão. As pernas pareciam pesadas a cada fuga e ainda mais quando procurava sua companhia. Intimamente sempre desejava a companhia de alguém que lhe agradasse, mas como poderiam saber se fazia de tudo para que se mantivessem fora de seu caminho? Por isso preferia voar. Manter-se longe do chão por muito e muito tempo. Sentir seu corpo flutuando no espaço. Aos poucos a raiva foi transformando-se em lágrimas. Ela queria voar. Ela queria partir as correntes, libertar-se do vácuo. 2ª opção. Sempre fora assim. Esperar por uma surpresa. Talvez as asas estivessem alí, só esperando para surgirem e então por-se em movimento rumo ao infinito. Talvez a vida surpreendesse. Esperava a surpresa. Desejava voar com uma companhia que lhe agradasse.
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