quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Caminhos XVI

Panos e trapos. Notava que havia passado os tempos em que podia esconder-se atrás deles. Dizer-se inocente e revogar a culpa. Sabia e sentia que necessitava cuidar-se mais, confiar menos e entender. Chegava o tempo da paciência. E dos sonhos. Talvez fosse o momento de sonhar mais que entender. Ou não. Da última vez que sonhara, passara meses imaginando se sua vida poderia voltar a ser como no sonho. Não podia. Por mais que se tenta dormir e voltar ao mesmo sonho, nunca se consegue. E ela ficara na expectativa. Remexera-se na cama e criara situações que poderiam ter ocorrido. Mas todas com seu consciente.
Bandeiras batiam-se com o vento. Viravam trapos. Ela não poderia fazer nada, a não ser observar o alto do mastro. Não era hipócrita. Jamais mentira se não tivesse sido para o bem. Considerava uma qualidade o saber quando falar a verdade. Via a felicidade acima de todas as coisas e não entendia o sentido de fazer algo que fizesse mal. Autodestruição, talvez.
Panos, trapos, pratos e cacos. Quem poderia consertar? Talvez uma nova ilusão, novo sonho ou a bela realidade. E como distingui-los? Ela não sabia. Talvez fosse apenas sentir e sonhar. Não podia revogar a culpa. Cristal quebrado era impossível de colar sem deixar marcas.

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