Esperava e não podia disfarçar. Sentia que esperava demais algo que nunca acontecia. Perdoava. Queria o mistério, a surpresa, o inesperado. Não o tinha. Tivera, certa vez, tanto tempo que custava a se lembrar. Tivera o que quisera e jogara fora. Arrependia-se, de certa forma. Esperava algo que pudesse compartilhar: alegria.
O que poderia querer, além do que já tinha? Só palavras. Palavras de bom tom e gosto. A alegria. Queria que tudo acontecesse, mas talvez tivera dado muitas oportunidades e só sem elas ocorreria. "Acorde, criança, ou o sol não irá nascer". Ela pensava. Ela sorrira. Ela sentira. Ela queria o bem, e desejava o mal. Sonhara e sentira falta da verdade. Batera de cabeça no chão.
Queria perder o mal hábito de acreditar. De esperar. Cachos e mais cachos de preocupações, como se fossem uvas. Luvas. Sentimentos que poderia guardar e esconder. Não conseguia. Não queria. Não gostava. Só desejava entender a humanidade, a paixão e a ordem de espera. Talvez não fosse assim. Talvez tudo que pudesse acreditar era na realidade e não em filmes de romance barato. Sonhava e sentia falta da verdade, da razão, do comprometimento. Batia a cabeça no chão. Todo dia.
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