Imaginava se algum dia alguém entenderia a falta que seu mundo fazia a ela, "seu" mundo. Se algum dia iriam entendê-la e dizer "vá, voe para ele". Talvez fosse a ilusão que lhe atormentava todas as manhãs. Diferenciava real de abstrato, mas talvez fosse aquele a sua realidade. Não, não era. Queria que fosse.
Permitia extasiar-se e ficar admirando seus devaneios. O que era mais importante? A vida? Os sonhos? O sentimento de que sentira enquanto lá vivera? Não sabia. E talvez tivessem razão quando acusaram-na de não saber o que queria da vida. Essa era a verdade. Preferia estar ora lutando contra a corrente, ora sentindo-se livre para deixar-se levar. Preferia mudar, viver em constante metamorfose. Sobreviver. Mas nunca fugindo dos seus ideais. Nunca lutando contra eles. Sentia-se lesada ao falar do que vivera, pois seu mundo não poderia ser explicado, somente vivido. E não entendia como conseguira explicar e parecer que fora uma boa vida, apenas com palavras. Necessitava mostrar. Não podia.
Sentia que o destino lhe colocava a prova. Poderia entender ou voltar. Preferira entender, era a decisão mais sensata a tomar. Mais coerente. Mas o que queria mesmo era voltar. "Vá, voe para ele", voltar para os céus e o mar. Voltar para sua imaginação. Viver somente de seus devaneios. Mas entendera e o destino que lhe levava.
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