sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Caminhos III

Na capela, de joelhos em frente ao altar, ela dizia em pensamento: "Pai, perdoa não ter cumprido a promessa, mas não deixe que meu menino definhe...". Vênus. Talvez fosse para quem precisasse orar. A maior e mais brilhante estrela do céu talvez fosse uma saída para suas angústias. O que será que a vida lhe proporia? Mais uma vez fora deixada. Escolha própria? Não, apenas o destino.
As coisas não falavam por si só. Era ela quem julgava. Coisa inútil. "Dados no ar, lançada está a sorte, de quem será a próxima morte?" Era uma questão de escolha, mas não de escolha pessoal, sim de escolha do destino. A solidão em meio a tanta gente... A tristeza em meio a tanta alegria... O ódio em meio a tanto amor... Qual seria a razão? Não, ela não entendia. "...perdoa não ter cumprido a promessa... não deixe que meu menino definhe...". Tristeza. Culpa. Remorso. Sentimentos que não podia esconder e que lhe jogavam a responsabilidade sobre os ombros.
Ela sabia... Ele era novo... Ele não podia se prender a algo talvez tão duradouro. Mas era o que ela imaginava para a vida. Vida dele. "...não deixe que meu menino definhe...". As escolhas eram dele. Não dela. Em verdade eram dela, mas ele não a respeitava. As escolhas eram dele. A vida não. O destino a regia. Deus? Destino? Anjos da guarda? Espíritos possessores? Só sabia que não era ela. Só sabia que apenas as escolhas eram suas. Não sua vida.
Mais uma vez fora colocada em segundo plano. E só ela sabia o quanto não gostava de se sentir assim. As lágrimas caíam talvez até sem perceber. E talvez, até sem perceber, ela ía notando que não fazia o certo. "...que meu menino definhe...".

3 comentários:

  1. inspirações! não sei onde que tu tira elas...mas está muuito bom! ameei flor :)

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  2. Você nunca usa a frase: ela se sentia assim... Porque você usa palavras que não contrariam as características da personagens, mas também não dá de bandejas os sentimentos dela. Seus textos nos faz adivinhar como são as coisas naquele mundo.

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  3. Ou nesse. Quem dirá que a vida dela é assim ou assada? Ninguém, nem mesmo a morte, nem a vida, nem os céus ou qualquer ser sabe o que se passa na mente de alguém que não sabe o que é.

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